As sensações conseqüentes de um mundo violento,
racista, individualista e exacerbado de imposições mostraram-me o
confronto pela inadequação. Seja crença, cor, raça, ideal ou uma simples forma de olhar o mundo, trazendo a sensação de estar vivendo em um Não Lugar. Por isso, fez-se necessário imaginar um lugar orgânico, harmônico, flexível e que o conjunto de crenças, costumes e
instituições não impeçam, limitem ou impossibilitem às pessoas criarem,
questionarem, envolver-se e se entregarem. Pelo contrário, acumularemos
conhecimento e vivência numa formação processual de identidade.
É claro que esse lugar é imaginário e abstrato, o que não tira o seu valor real.
Assim como são reais as sensações, emoções, estranhamentos ou
familiaridades que identificamos na apreciação de exposições, mostras,
leituras e infinitas trocas que temos no decorrer da vida. Por acreditar que o abstrato é real e que podemos mostrar nossas emoções como tal, o lugar comum começa a ser pensado, revisto e revisitado com a construção cênica de: “Em um Outro Lugar ou Em um Não Lugar”